História


Elementos históricos e culturais de Paripe

É conhecido outro engenho da freguesia de Paripe, situado entre Periperi e o porto de Paripe, o engenho de St.Antonio da Olaria de Coutos. É um nome que aparece a primeira vez em 1782, quando seu dono era o capitão Victorino de Argolo Menezes.

A casa do engenho era feita de pedra e cal sobre pilares com varandas, uma moenda pronta com três eixos, dois de tambores, três de chapa com todos os seus acessórios para a fabricação, uma casa de caldeira com os cobres seguintes: duas caldeiras de melar, um paiol de caldo quente, três tachas, uma bacia, um paiol de caldo frio de ferro, uma casa de purgar com seus pertences, um viveiro de criar peixes, uma casa de vivenda velha de sobrado, senzalas de palhas e gados. Essa descrição minuciosa é muito interessante, pois raras às vezes encontramos em escrituras públicas, os fatos relatados com a riqueza de detalhes deste engenho. (OTTI, 1996)

Em 1834, o engenho de St.Antonio da Olaria já funcionava com máquinas a vapor, queimando ao invés de madeira, os talos de cana , que já passaram por várias vezes na moenda, servindo de combustível. Em 1858, o engenho foi registrado por dona Adriana Sofia de Lima Gordilho, dizendo-se possuir 988 tarefas de terras, limitando-se no norte com a fazenda de Tubarão e o engenho de Paripe, e no sul com as fazendas da Pituba, e ao oeste com o mar. (OTTI, 1996)

Em 1857, surge um novo engenho na localidade, com o nome de engenho de Paripe, foi registrado na fazenda Jacurutu por José de Melo e Carvalho, dividindo-se de um lado com o engenho de Olaria e pelo fundo com as fazendas de Gameleira e Jacurutu, até encontrar com a fazenda da Sapocaia e com ela sempre dividindo até o mar.

Enquanto, porém, em 1857, as ruínas da igreja de duas torres do engenho Rosário se escondiam atrás de uma porteira modesta do sítio do Rosário, a sede do mais antigo engenho de St.Cruz de Torres estava transformada na Fazenda São Tomé de Dona Veridiana Gomes de Souza, desenvolvendo-se no século XX, no povoado de São Tomé de Paripe, como aconteceu com muitas sedes antigas de engenhos. Ainda se registrou até 1858 o funcionamento de alguns engenhos na localidade, mas a partir daí com as heranças deixadas aos parentes, foram se transformando em sítios e chácaras.


  Informações complementares disponíveis no livro: OTTI, Carlos, O povoamento do recôncavo pelo engenho. S.B Grafi , Bahia , 1996.

Autor: Marcelo Barreto

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