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Bairros ainda estão sem programação para a folia
Sexta-feira, 29/01/10 23:16 - Por Meire Oliveira, do A TARDE

Ainda sem notícia sobre a programação do Carnaval nos Bairros, a população dos seis locais contemplados anda receosa dos problemas ocorridos no ano passado. A ausência de ‘estrelas’ do momento e a insegurança são as principais queixas. Na quarta-feira passada (27) foi o final do prazo para os artistas entregarem documentos para análise. A Saltur deve divulgar a grade, com artistas notórios e emergentes, na próxima semana.

Plataforma, Pau da Lima, Cajazeiras, Liberdade, Periperi e Itapuã são os bairros onde serão instalados os palcos que visam oferecer alternativa aos circuitos oficiais. No entanto, em alguns casos, enfrentar a multidão atrás dos trios parece inevitável.

Poder de intervir na escolha das atrações é o que falta aos moradores de Itapuã. Na grade de artistas que chega pronta a poucos dias da folia, segundo o presidente do Conselho Comunitário de Itapuã, Zelito Guimarães, não há espaços para as manifestações culturais do bairro. “Temos grupos de capoeira, as ganhadeiras, o samba do Pedaço de Cada Um. Aqui não falta gente competente, mas não tem espaço para mostrar seu trabalho”, reclama.

Em Pau da Lima, os problemas são a insegurança e o excesso de ambulantes. No pequeno espaço do final de linha, o que seria uma opção alternativa aos lotados circuitos oficiais acaba quase sempre em conflito. Moradores garantem que a quantidade de policiais de plantão não é suficiente.

“Não há controle sobre os ambulantes. Todo mundo pode. Aí gera briga pela disputa de espaço”, contou uma ambulante, que não quis se identificar. Segundo o presidente da associação de moradores, Oscar Sodré, as famílias deixaram de curtir a festa. “Muita gente vai armada, aí as pessoas se afastaram”.

A lista de cantores e bandas levados para Plataforma também não faz a população optar pela festa local. “Não tem como. Eles trazem cantores que já perderam a fama. As pessoas passam, olham, mas não ficam”, contou a coordenadora do grupo jovem da Associação de Moradores de Plataforma (Ampla).

Cansados de esperar por boas atrações, a Associação de Moradores e Amigos do Curuzu (Amac), na Liberdade, faz a própria festa. Na quinta, às 19h, o Arte Curuzu e o Tambores do Mundo seguem pelo bairro até o plano inclinado. “Ninguém sente vontade de ver quem eles colocam. Nossa festa é mais animada e tem mais gente”, afirma Eliomar Paulo Gomes das Neves, conhecido como mestre Urso, diretor da Amac.

Frustração - A população de Cajazeiras e Periperi espera não passar pela frustração em 2009 quando atrações previstas não compareceram. Em vez de Luiz Caldas, às 20h30, e Beto Jamaica, às 22h, quem aguardava no palco da entrada de Fazenda Grande I e na Praça da Revolução, respectivamente, não viu o esperado.

Na época, ao contrário da versão do artista, a Saltur alegou que Luiz Caldas foi contratado para apresentações em palco e trio, mas informou que não ia para Periperi quando não havia tempo de alterar a grade. O cantor Beto Jamaica, apesar de constar na programação, o órgão negou a contratação. “Boa parte do tempo aqui fica vazio”, disse o presidente da associação de moradores do bairro, Almir Souza.

Neste ano, de acordo com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult), será disponibilizado R$ 1,5 milhão para pagamento de cachê, cabendo R$ 11 mil aos artistas notórios e R$ 3,5 mil aos emergentes.

Fonte: atarde

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